A Voz das Ciganas que a História Tentou Calar

Todas nós que estamos cá, em médiuns, seja homens ou mulheres, de alguma maneira fomos desrespeitadas, caladas; tiraram nossa voz, nosso direito de escolha, nossa dignidade. Ensinaram-nos a ser servis e obedientes.

E ai de nós, as rebeldes, vagabundas, meretrizes, que ousássemos desobedecer irmãos ou maridos.

Éramos vendidas como qualquer mercadoria. Para que um homem tivesse nossa mão, era pago um dote, um valor para que selasse nossa união.

Se hoje as ciganas trabalham o amor, é porque isso foi negado à grande maioria de nós.

Enquanto nós, meninas, deveríamos brincar e aprender, éramos colocadas como algo de alguém. Mais do que um marido, o que nos davam era um algoz, um dono.

Mal nosso útero se formava, e já nos geravam o primeiro filho, e assim quantos viessem.

A mulher cigana que não era fértil era amaldiçoada, desgraçada, abandonada. Homem nenhum aceitava mulher que não desse um filho, de preferência homem.

Tínhamos que ser belas, estar arrumadas, criar nossos filhos, caçar, pescar, coletar, plantar, cozer.

Quantas e quantas de nós tivemos nosso primeiro amor e fomos obrigadas a vê-lo casar com outra, ou abandoná-lo porque o acampamento tinha que partir.

Quantas casamos porque era conveniente aos pais, aos clãs e aos acampamentos.

Quantas de nós fomos deixadas para trás ao negar nos entregar a homens que não amávamos.

Quando se procura uma cigana espiritual, procura-se prosperidade, procura-se consertar um amor que, em grande maioria, não existe ou nunca deveria ter acontecido.

Amor verdadeiro é preciso haver verdade, sinceridade e respeito.


Cigana Helena’

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